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Perimenopausa: a fase que ninguém te contou que existia

Você ainda menstrua. Às vezes até regularmente. Mas algo mudou.

O ciclo que era certinho como um relógio agora chega antes, atrasa, some por dois meses e volta com força total. O humor oscila de um jeito que você mesma não reconhece. O sono piorou. Você está mais cansada do que deveria estar.

E quando você pesquisa ou comenta com alguém, a resposta é sempre a mesma:


"Mas você ainda não entrou na menopausa."

É verdade. Mas você já está na perimenopausa — e isso muda tudo.


O que é a perimenopausa?

Perimenopausa significa, literalmente, "ao redor da menopausa". É a fase de transição em que os ovários começam a produzir quantidades menores e mais irregulares de estrogênio e progesterona — os principais hormônios femininos.

Ela começa antes da menopausa e termina quando a menstruação para de vez por 12 meses consecutivos. Só aí a mulher é considerada na menopausa de fato.

O que muitas mulheres não sabem é que essa fase pode durar de 2 a 10 anos. Isso significa que os sintomas que você está sentindo agora podem ter começado muito antes de a menstruação dar qualquer sinal de parar.


Quando a perimenopausa começa?

Em média, entre os 40 e 44 anos — mas pode começar aos 35 em algumas mulheres. Não existe uma data marcada no calendário. O que existe são sinais que o corpo começa a dar, muitas vezes de forma sutil.

O problema é que esses sinais raramente são associados à perimenopausa. São atribuídos ao estresse, ao ritmo de vida, ao "cansaço de mãe", à "fase difícil do casamento". E a mulher vai vivendo, sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo.


Qual a diferença entre perimenopausa, menopausa e pós-menopausa?

É uma dúvida muito comum — e faz todo sentido ter, porque esses termos são usados de forma confusa no dia a dia.

Perimenopausa é a transição. Os hormônios começam a cair, os sintomas aparecem, mas a menstruação ainda ocorre — mesmo que de forma irregular.

Menopausa é o evento. O momento em que se completam 12 meses sem menstruação. É um marco, não uma fase.

Pós-menopausa é tudo que vem depois desse marco. Os sintomas podem continuar por alguns anos, mas tendem a diminuir com o tempo — especialmente com o cuidado adequado.

Muitas mulheres que dizem "estou na menopausa" estão, na verdade, na perimenopausa. E essa distinção importa porque o cuidado em cada fase pode ser diferente.


Os sinais mais comuns da perimenopausa


Ciclos menstruais irregulares

É geralmente o primeiro sinal. O ciclo que era previsível começa a mudar: vem mais cedo, mais tarde, mais intenso ou mais fraco. Algumas mulheres ficam meses sem menstruar e depois voltam a ter fluxo intenso. Isso acontece porque a ovulação começa a ser irregular — e sem ovulação, a progesterona cai, desregulando todo o ciclo.


Ondas de calor e suores noturnos

Sim, os famosos fogachos já podem aparecer na perimenopausa, muito antes da menstruação parar. E costumam pegar as mulheres de surpresa justamente por isso.


Alterações de humor

Irritabilidade, ansiedade, choro fácil, sensação de estar no limite — o estrogênio tem efeito direto nos neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio emocional. Quando ele oscila (como acontece na perimenopausa), o humor vai junto.


Insônia e sono de má qualidade

Dificuldade para pegar no sono, despertar de madrugada, sono leve que qualquer barulho interrompe. O sono muda na perimenopausa e isso tem impacto direto na energia, no humor e na concentração do dia seguinte.


Cansaço sem explicação

Você dorme, mas acorda cansada. Faz menos do que antes, mas sente que gastou mais energia. Esse cansaço crônico é um dos sintomas mais relatados — e um dos mais ignorados, porque é fácil atribuir a outras causas.


Dificuldade de concentração

"Fui buscar uma coisa e esqueci o que era." "Comecei uma frase e perdi o raciocínio." A queda hormonal afeta a memória de trabalho e a concentração. Não é sinal de doença grave — é hormônio.


Dores de cabeça mais frequentes

Mulheres que já tinham enxaqueca hormonal (aquela que aparecia junto com o ciclo) costumam notar piora na perimenopausa, justamente pela instabilidade dos níveis de estrogênio.


Mudanças na pele, cabelo e unhas

A pele fica mais seca, o cabelo pode cair mais, as unhas ficam mais quebradiças. O colágeno da pele também diminui com a queda do estrogênio — o que explica por que muitas mulheres percebem mudanças na textura e na firmeza da pele nessa fase.


Por que os ciclos ficam irregulares?

Porque a ovulação começa a falhar.

Durante toda a vida reprodutiva, o ciclo menstrual funciona assim: um folículo cresce, ovula, e o corpo produz progesterona na segunda metade do ciclo. Se não houver fecundação, a menstruação vem.

Na perimenopausa, os folículos começam a responder menos aos hormônios que estimulam a ovulação. Alguns meses ovula, outros não. Quando não ovula, não tem produção de progesterona — e o ciclo fica desequilibrado. Daí vêm os atrasos, as antecipações e os fluxos diferentes.


Posso engravidar na perimenopausa?

Sim. Enquanto houver ovulação, mesmo que irregular, existe a possibilidade de gravidez. Por isso, a contracepção ainda deve ser discutida com o médico nessa fase — especialmente para mulheres que não desejam engravidar.

Essa é uma dúvida muito comum e importante de esclarecer: perimenopausa não é o mesmo que infertilidade.


O que fazer durante a perimenopausa?

O primeiro passo é nomear o que está acontecendo. Muitas mulheres se sentem aliviadas só de entender que o que estão vivendo tem nome e explicação — e que não estão "ficando loucas".

O segundo passo é buscar acompanhamento médico. A perimenopausa não precisa ser sofrida em silêncio. Existem opções de tratamento para os sintomas, e quanto antes o acompanhamento começa, melhor a qualidade de vida durante toda a transição.

O que pode ajudar:

  • Avaliação hormonal — exames de sangue para entender em que fase da transição você está

  • Terapia hormonal — pode ser indicada mesmo antes da menopausa, dependendo dos sintomas e do histórico de saúde

  • Acompanhamento nutricional — a alimentação tem papel fundamental no controle dos sintomas e na manutenção do peso nessa fase

  • Fisioterapia pélvica — especialmente para queixas de ressecamento, desconforto ou alterações no assoalho pélvico

  • Mudanças no estilo de vida — exercício, sono, gerenciamento do estresse fazem diferença real

Quando procurar um médico?

Assim que você perceber que algo mudou — e você não estiver entendendo o porquê.

Não espere os sintomas ficarem intensos. Não espere a menstruação parar. A perimenopausa é uma fase que merece atenção, cuidado e acompanhamento — não silêncio e resignação.

Se você está entre 38 e 50 anos e reconheceu algum dos sintomas descritos aqui, vale marcar uma consulta para conversar. Uma avaliação completa pode mudar muito a sua qualidade de vida nos próximos anos.

Na Clínica Dra. Ana Carolina Martins, em Alphaville, acompanhamos mulheres em todas as fases dessa transição — da perimenopausa à pós-menopausa. Com tempo, escuta e uma equipe multidisciplinar que inclui ginecologista, nutricionista e fisioterapeuta pélvica.

Porque essa fase merece mais do que uma consulta rápida.

Você se reconheceu nesse texto e quer entender melhor o que está acontecendo com o seu corpo?



Atendimento particular em Alphaville, Barueri. De mulher para mulher.

Dra. Ana Carolina Martins de Oliveira — CRM-SP 175.397 | Ginecologista e Obstetra em Alphaville

 
 
 

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